Lado a Lado – Novela das 18h

lado-a-lado

Bom dia, queridos, como estão? Ainda abalada pelo fato de Joe Wright ter massacrado meu romance de preferência, vamos estender meu mau humor à minha vítima predileta, a Rede Globo.

Muitos têm comentado que a trama da novela das 18h estaria mais bem locada às 21h. A forçosa trama de Gloria Perez sobre violência e tráfico contra as mulheres (nada oportunista, visto o sucesso da série Millennium, de Stieg Larsson) já cansou com suas reviravoltas de enredo e estômago. De fato, Lado a Lado tinha todos os elementos para ser uma excelente trama: a estética decadentista, figurino bem elaborado, boas atrizes como Patrícia Pillar e Marjorie Estiano, um enredo com temas abrangentes (liberdade de expressão, emancipação feminina, segregação racial e social), enfim, coisas que só a Rede Globo pode estragar. E es-tra-gou.

O casal base, Laura e Edgard, é composto por um herói de folhetim com os cabelos alisados (não se enganem, o cabelo dele é idêntico ao meu) e uma heroína que representa a quitaessência do dito popular “não #$%* nem sai de cima/ não $%@& nem sai da moita, se preferem…”. Ela não toma atitude alguma para recuperar o amor que afastou sem razão racional ou aparente mas se incomoda sobremaneira todas as vezes que ele é visto tomando chá com sua simpática prima na Confeitaria Colonial.

Por sua vez, Isabel é uma pseudoemancipada dançarina que apenas esmola afeto e aceitação dos (poucos) homens de sua vida: o pai, o noivo e, mais recentemente, o filho. É impressionante o quanto suas conquistas não representam absolutamente nada para si própria exceto quando validadas por aqules cuja opinião é a “única” que importa… Excelente exemplo de busca por liberdade. Liberdade para ser exatamente o que suas ancestrais foram – escravas.

Por incrível que pareça, o único espécime que tem total livre arbítrio na trama atende pelo nome de Constância, ou a Baronesa. Ela mainipula totalmente seu marido e filho, faz o que lhe convém para ascender social e financeiramente e até mesmo obteve um amante no círculo de amizades do filho. Isso sim, constitui avanço no contexto repressor em questão… Constância para protagonista!

Como faltam ainda duas semanas para o término dessa bagatela, espero retornar em breve com as últimas impressões.

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