A vida nada fácil das mulheres da noite

Antena / Novelas

(Deborah Secco interpretando Bruna Surfistinha)

Recentemente, um colega nosso chegou ao escritório pela manhã mais branco do que papel não reciclado. Qual não foi minha surpresa ao saber que a causa de tamanho desconforto havia sido o fato de ele ter presenciado, no vagão do Metrô no qual veio, o diálogo acalorado entre duas moças “de vida fácil”, retornando de seu labor no mesmo horário no qual nos dirigimos ao nosso.

Segundo ele, as moças estavam vestidas de uma maneira não apenas sensual e apelativa, mas visivelmente sem roupa de baixo  e relatavam todos os serviços prestados ao longo do dia, em detalhes, em tom audível para o vagão inteiro.

Após uma breve súmula dos 120 dias de Sodoma e Gomorra, nas palavras não do Divino Marquês mas de endemoniadas proletárias, a conclusão de nosso jovem colega foi que “Para mim, uma mulher que se presta a isso perde todo o respeito, dignidade, tudo. Não a considero sequer uma pessoa”.

Whoa! Que se passa?! E o que desencadeou essa conclusão, as práticas descritas ou a ousadia de professá-las em voz alta? Ou será a “folga” de estar voltando para casa quando estamos, forçosamente, nos dirigindo para iniciar nossa jornada? Ou ainda a quantia acarretada em uma noite assim, que para alguns de nós equivale a um mês completo, dada a quantidade obscena de descontos e impostos?!

Como não podia deixar de ser e até para fazer jus à fama de crica da área, chamei a atenção do rapaz para os seguintes pontos:

1) Mal consigo aguentar doze segundos beijando uma pessoa de quem não goste, imagine doze minutos de qualquer modalidade de relação sexual…! O adjetivo fácil é muito, muito relativo.

2) Embora vivamos em uma sociedade aparentemente liberal, a questão sexual ainda é muito complexa.  Estar em uma profissão que, assumidamente, explora essa vertente torna a pessoa muito exposta, vulnerável. Discriminação pouca é bobagem.

3) Ao contrário do que diz o senso comum, muitas famílias não apenas aprovam como estimulam o sexo como forma de gerar renda de filhas jovens, inclusive menores de idade e isso não gera questionamento moral ou mesmo culpa.

4) O vício leva o ser humano a caminhos que jamais seriam percorridos em condições saudáveis. Muitas prostitutas e michês entram neste meio levados pela dependência química e sequer apreendem o processo de degradação ao qual estão expostos.

5) Infelizmente, alguns “promotores de encontros” são os próprios maridos/companheiros das moças e eles as obrigam a trabalhar várias horas, inclusive estimulam o uso de drogas como heroína, que aumentam a performance e tornam a situação mais nebulosa.

Queridos leitores, será que algo realmente viabiliza a perda do estatuto de ser humano? Digo, que eu saiba, ninguém ainda removeu esse traço de figuras como Adolph Hitler ou Cesare Bórgia…Vamos removê-lo justo de uma moça de vida difícil? Afinal, ninguém entra em um meio assim de forma natural e elegante. Exceto, talvez, a tal Bruna Surfistinha…

 

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