Millôr Definitivo – A Bíblia do Caos

Millôr Definitivo  – A Bíblia do Caos. Garante diversão ilimitada em aprox 500 páginas. Amostras grátis:

“ABDÔMEN: palavra machista significando barriga. Para ambos os sexos, ora vejam. Deveria haver também abdmulher.
ABORÍGENE: é a maneira perjorativa com que os conquistadores chamam os donos da propriedade.
ACEITAÇÃO: só no dia em que começaram a pagar bem pelo que eu escrevia comecei a aceitar que era rico de ideias. Bem, rico não, remediado de ideias.
ADIAMENTO: não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte.
ADMINISTRADOR:  adminstrador acima de qualquer suspeita é o que só dá golpe na empresa quando há lucros extraordinários.
ADMIRAÇÃO: como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos muito bem!
ADULTÉRIO: quebra de contato vitalício, civil e religioso, com substituição se sócio sem aviso prévio.
ADVOCACIA: é a maneira legal de burlar a Justiça.
AFINIDADE: quando duas pessoas odeiam a mesma pessoa, têm a impressão de que se estimam.
AFRODISíACO: o melhor afrodisíaco ainda é a carência prolongada”
millor

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…Mas você está tentando, né?

Dia desses tive um acesso de fúria quando uma pessoa perguntou se eu não estava no Doutorado, ao que eu respondi “Não”,  o que suscitou a réplica: “Sim, mas você está tentando, não é?”

Óbvio que estou tentando. Afinal, tenho a obrigação moral de tentar, de não estar satisfeita com meu Mestrado, que, por acaso, é a maior escolaridade da minha área (obtida pelo segundo membro mais jovem da equipe, inclusive)… Aliás, não é só a escolaridade, vários outros aspectos da minha antipática pessoa necessitam ser melhor trabalhados: tenho sobrepeso, mas estou tentando perder, né? Tenho cabelo enrolado, mas estou tentanto alisá-lo, né? Estou solteira, mas estou tentando arrumar um namorado, né? Lógico.

Não, não estou. Na verdade, não estou nem aí quando passo pela academia no caminho para minha cama, imensa, confortável e só para mim, recheada de livros que escolhi ler, que não foram recomendados ou solicitados por ninguém, e ainda repleta de chocolatinhos mentolados belgas.

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casa

Lado a Lado – Novela das 18h

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Bom dia, queridos, como estão? Ainda abalada pelo fato de Joe Wright ter massacrado meu romance de preferência, vamos estender meu mau humor à minha vítima predileta, a Rede Globo.

Muitos têm comentado que a trama da novela das 18h estaria mais bem locada às 21h. A forçosa trama de Gloria Perez sobre violência e tráfico contra as mulheres (nada oportunista, visto o sucesso da série Millennium, de Stieg Larsson) já cansou com suas reviravoltas de enredo e estômago. De fato, Lado a Lado tinha todos os elementos para ser uma excelente trama: a estética decadentista, figurino bem elaborado, boas atrizes como Patrícia Pillar e Marjorie Estiano, um enredo com temas abrangentes (liberdade de expressão, emancipação feminina, segregação racial e social), enfim, coisas que só a Rede Globo pode estragar. E es-tra-gou.

O casal base, Laura e Edgard, é composto por um herói de folhetim com os cabelos alisados (não se enganem, o cabelo dele é idêntico ao meu) e uma heroína que representa a quitaessência do dito popular “não #$%* nem sai de cima/ não $%@& nem sai da moita, se preferem…”. Ela não toma atitude alguma para recuperar o amor que afastou sem razão racional ou aparente mas se incomoda sobremaneira todas as vezes que ele é visto tomando chá com sua simpática prima na Confeitaria Colonial.

Por sua vez, Isabel é uma pseudoemancipada dançarina que apenas esmola afeto e aceitação dos (poucos) homens de sua vida: o pai, o noivo e, mais recentemente, o filho. É impressionante o quanto suas conquistas não representam absolutamente nada para si própria exceto quando validadas por aqules cuja opinião é a “única” que importa… Excelente exemplo de busca por liberdade. Liberdade para ser exatamente o que suas ancestrais foram – escravas.

Por incrível que pareça, o único espécime que tem total livre arbítrio na trama atende pelo nome de Constância, ou a Baronesa. Ela mainipula totalmente seu marido e filho, faz o que lhe convém para ascender social e financeiramente e até mesmo obteve um amante no círculo de amizades do filho. Isso sim, constitui avanço no contexto repressor em questão… Constância para protagonista!

Como faltam ainda duas semanas para o término dessa bagatela, espero retornar em breve com as últimas impressões.

Anna Karenina 2013

Anna Kareninaanna1Aaron-Johnson-Anna-Karenina Alguns dizem que Anna Karenina é o maior romance de todos os tempos; outros consideram-na a maior novela trágica de todos os tempos; outros, ainda, a maior história de amor de todos os tempos. Eu ratifico todas as anteriores e acrescento que é meu livro favorito de todos os tempos. E, como eu esperei TODOS OS TEMPOS para esta estreia (que, ao fim, ainda não ocorreu e tive de assistir direto em vídeo), permitindo-me inclusive reler a obra em sua totalidade após 10 anos, neste post serei a mais dura crítica de todos os tempos. Exceto, é claro, por Tolstoi, que renegou e chegou a queimar o original deste magnânimo romance.

Queridos leitores, vocês ficaram irritados com a minha repetição proposital de termos? Pois imaginem meu estômago já irritado com a gastrite pós-Carnaval dada a reiteração de imagens como os trens, o sótão do palco e as personagens-marionetes…! Uma vez que muita gente já viu versões anteriores do filme, leu a obra ou versões compactas da mesma, digamos que ficar antecipando o desfecho trágico da personagem central não é muito original.

O elemento “teatro” mostrou-se um desconforto para mim ao longo das duas horas de filme. Fato é que propor uma nova versão de um filme já dirigido por Bernard Rose e interpretado por atrizes como Vivien Leigh, Greta Garbo e Sophie Marceau é, por si só, um ato de extrema bravura e ousadia. Não há mal algum em quebrar esse cânon com alguma irreverência… Aliás, isso dos palcos, da encenação, da plateia sempre assistindo tinha de tudo para estilizar harmoniosamente a ideia de que tudo o que concerne àquela sociedade, a do século XIX, é simulação e protocolo e, no entanto… Desestruturou todo o filme. E isso, creio, ocorre devido conflito direto com o Realismo-Naturalismo, a forma original no qual esta obra prima foi concebida. Tirar a moldura de um quadro nunca foi tão desastroso quanto nesta versão… Pior ainda pois a nova moldura/forma chama mais a atenção do que o quadro/enredo em si.

Ao enredo, portanto. Que se passa com as histórias paralelas? Digo, Kitty/Kostya, Dolly/Stiva e Karenin/Lydia. Tendo relido o romance há menos de um mês, tenho de conceder ao filme o mérito de ter mantido os diálogos originais em peso, sem muitas adaptações de tom ou vocabulários. Kostya dizendo ao Stiva que não roube doces é excelente, assim com Vrosky culpando Ana por seu desejo sempre reavivado pelo comportamento ambivalente da grande dama. Amo a citação: “Paz nunca teremos. Para nós, está destinada imensa miséria ou indizível felicidade”. Mas não posso perdoar a exclusão de vários elementos: a constante crise existencial de Kostya, que será posteriormente espelhada à de Ana é o principal. O início conturbado do casamento de Kostya e Kitty é outro ponto e o aspecto englobante de que projetar a própria felicidade em outro ser humano traz consequencias desastrosas para um casal é algo que não pode faltar para a apreensão desse romance. Anna crê que tudo sacrificou em nome de seu amor por Alexei e espera uma reciprocidade à altura, enquanto que Kostya deseja que Kitty forneça sentido à sua vida e Kitty, por sua vez, exige devoção total e eterna veneração de seu marido… O menos afetado por esse turbilhão de frustrações é o insípido Karenin e, aqui, o roteirista acrescentou um elemento novo que resultou contraditório – Cristão ortodoxo e burocrata, Karenin é visto em duas cenas desenrolando parcimoniosamente uma camisa de vênus. Oras, sabemos que a doutrina cristã é contra qualquer forma de contracepção e mais: Karenin não pode ser o perfil de indivíduo que tem relações sexuais por prazer somente. Isso entra em desacordo com a configuração da personagem! Karenin é a quintaessência do tédio, do previsível, do monótono… O que torna ainda mais fascinante o interesse da igualmente insípida Condessa Lídia pelo mesmo.

No âmbito do monótono, aliás, temos um bom exemplo de referência: Aaron Johnson como Vronsky. Nas palavras do príncipe Tchiervatsky, pai de Kitty, a melhor definição para o exemplo de cromossomo Y apresentado neste filme é “um peralvilho”. Não podemos conceber um rapaz como esse motivando abandono de um filho primogênito, uma vida absolutamente estilosa, riqueza material, status social elevado… ALTAMENTE IMPROVÁVEL. E Ana com elementos de comédia tampouco coube nesse contexto de entrega passional, desafio à opressão, sacrifício e reparação. Sinto muito, Keira, mas como G., Elizabeth e Cecília você me inspira imensa admiração, como Anna o que senti foi uma descontente compaixão por uma interpretação equivocada sem dúvida conduzida por um diretor com demasiada confiança em você, o suficiente para acreditar que sua interpretação idiossincrática seguraria quaisquer falhas do filme com a maior desenvoltura. Ás vezes, segurança demais compromete a performance…

Muita gente tem se queixado de que Os Miseráveis é uma história muito forte e o formato musical reveste tudo de um artificialismo prejudicial ao tema. Contudo, Anna Karenina consegue a dolorosa proeza de afogar-se mais profundamente no mesmo lago escuro e sem cisnes: não é possível se entregar a um espetáculo cujas cordas das marionetes estão sempre visíveis ao espectador. Falo sem o elemento metáfora…! Eu estou vendo que são marionetes, não é necessário evidenciá-las, ó Diretor desejoso de insultar minha inteligência! Sem mencionar aquela profusão de cores e mais cores em tons avermelhados, semelhantemente a outra versão de romance trágico que tropeça na mesma pedra, Moulin Rouge, enfim, é lamentável. Não pude dormir à noite sem antes assistir a um excerto do filme dirigido por Bernard Rose. Nós sempre teremos São Petersburgo.

Como amante generosa que sou, jamais deixaria um filme baseado em meu romance de cabeceira sem ressaltar os diversos elementos que apreciei, embora o conjunto tenha me decepcionado imenso. São eles:
* Figurino e joias;
* Presença de atores de suporte charmosos, como Holliday Grainer;
* Diálogos de fundo, canções dos mujiques e documentos em russo perfeito;
* Trilha sonora impecável, embora ignore Tchaikovski (provavelmente pois já foi muito explorado em versões anteriores);
* Pela primeira vez, vi transportada para um filme a rivalidade acirrada entre peterburguenses (“afetados/aristocráticos”) e moscovitas (“provincianos/caipiras”) que persiste até hoje.
* A valsa entre Anna e Vrosky, que tem vários toques e recolhas de mãos simulados e milimetricamente ensaiados, tal qual um jogo de flerte/sedução em todo o seu esplendor de artificialismo e ausência de espontaneidade. A dança termina com Anna separando-se abruptamente de seu parceiro para não humilhar ainda mais a rival (já derrotada) e, ao buscar sua imagem no espelho, a heroína trágica vê uma locomotiva acelerada se aproximando – a meu ver, dever-se-ia manter esta única referência a trens;
* Embora o elemento “palco” tenha-me incomodado imensamente, não sou vingativa a ponto de não reconhecer o aspecto potencialmente artístico do teatro neste filme. A condição humana nada mais é do que um palco caótico, no qual os atores entram em cena sem roteiro, com diretor pouco ou nada acessível e, para completar, sem conhecimento prévio de qual o gênero representado. Tragédia? Comédia? A única certeza são as marionetes e a plateia. Esses não falham NUNCA.

Oscar Wilde and the Brazilian Fashion of Intimate Cirurgy

I´ve read The Picture of Dorian Gray when I was 19 years old, at the same time with Anna Karenina of Liev Tolstoi and I must say: these two novels changed my life and  dropped me form Law’s School into Literature Graduation and eventually my XIX Century Mastery. And I do not regret one single choice I did in those years of my thoughtful youth. Now, reading it again at 29, I see so much wonder and skill in Wilde´s novel I absolutely ask myself – How come so few people know this book?
The plot describes the physical pleasures and moral degradation of the main character, Dorian Gray but, unlike Christian Grey (yeah, EL James reportedly did not read Marquis du Sade but must have given a peek or two in Wilde’ s masterpiece for sure) his sick mind and memories of child abbuse drive him to insanity, aching regrets (specially concerning his first female sweetheart, pretty Sybil Vane) and a murder, more precisely, he kills the very painter of the portrait that maintains his youth, aging and changing into ugliness accordding to his vices and bad deeds.
This novel presents many themes I particularly love to see portraited, for example:
1) How sad it is for an human being to be driven to beleive he has nothing more to offer to the world than his aesthetical appearence and good looks. In Brazil, we are watching a freak show every day in TV in which cebs proudly are glad to share that they have made intimate cirurgy and silicon implants. I mean, is that all you´ve got? Do you really need to keep things going through this? How terrifying.
2) The fact that people that were abbused often think the world ownes them something, as a reparation. And the different forms of atonement usually include sex and money. Dorian thinks he does not need to stay in line, forst, because he has already suffered, second, because he will never show his crimes, third, because he shall never die.
3) What would you do if you had the entire freedom? The idea of being given such a gift (or curse) leads mankind to crime, deceit, vice, and what is worst: the final tedious. By the end of the novel, Dorian is tired, everything is old, everyone is hideous. He must die to see new things, as he´s seen it all already. That means, Nature is s much wiser than us.

Dorian-Gray-pic

Guest Room at my Grandma´s House

Does anyone want to check in? lol

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Dean Winchester, meu eterno companheiro, já está super a vontade…!

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Na ausência de uma companhia humana, ele não se intimida de solicitar a companhia da amiguinha Patrícia!

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(guardarroupas Casas Bahia)

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(estante Lazer e Moda)

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(estante Literatura – somente com as obras cujas leituras estão em andamento. As demais permanecem na antiga casa, mesmo)

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(aqui é onde a Magia acontece – digo, é daqui que eu agora escrevo meus simpáticos posts)

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(lógico que tem um espaço felino para o Dean ficar mais confortável)

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(Cama box Sleep House e tapete vermelho Bordeaux Leroy Merlin)

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(Passadeira também Leroy Merlin)

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(jogo de cama Zelô e travesseiro da Nasa – não, não serve para sonhar com o Louis Armstrong, só para dar torcicolo se você não o ajustar corretamente)

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(Tentei quebrar o azul do quarto com um papel de parede lilás – no entanto, descobri que não sei colar papel de parede! Oô tranqueira escorregadia)

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(Lógico que tem de rolar um DVD ou música de vez em quando, né? Esse aí é o encarte do meu CD predileto da Madonna, Bedtime Stories)

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(Minha bibliografia de cabeceira reflete meu caráter eclético e idiossincrático – belo eufemismo para “leio de tudo, pois tanto para falar mal quanto bem, gosto de ter propriedade”)

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( Esses três quadros, que eu característicamente como loira que sou primeiro tentei colar com Super Bonder para depois deixá-los displiscentemente apoiados na estante, são a síntese do espírito do cômodo – um cartel de doces franceses, a  skyline de São Francisco CA e o estilo spa dão o tom de indulgência, fuga e relaxamento)

Galera, isso é tudo, eis o projeto de férias de uma decoradora amadora fã de Vogue Home e Casa e Jardim. Aprovam?