A reputação de um ser humano

A reputação de um ser humano é (ou, ao menos, deveria ser) definida por seus atos e não pelo que é dito sobre ele. Essa frase soa muito, muito estranha e de difícil apreensão em um contexto no qual a autoexposição por meio das mídias sociais é a regra para muitos usuários da rede.

Quem não voltou de férias ansioso para descarregar o álbum de fotos e postá-los em uma rede social que atire a primeira pedra. Atualizamos tudo, desde mudanças de emprego, endereço e estado civil até novos cortes de cabelo, manicure, culinária. Postamos e aguardamos que alguém comente, curta ou compartilhe: esperamos feedback para cada tópico, afinal ninguém gosta de ser deixado no “vácuo” da indiferença. Existem usuários que, mesmo em horário profissional, coordenam suas atividades de modo a não perder de vista o efeito de suas postagens.

A obsessão pela autoexposição dificilmente surge desacompanhada de outro fator inerente à necessidade de atenção: a felicidade artificial. A foto com a turma na festa do final de semana é animadora, mas ninguém acompanha os efeitos da bebida em excesso no dia seguinte. Os ex colegas de uma empresa lá estão, abraçados em um happy hour, não obstante o detalhe de que não trocam sequer uma palavra de cortesia há anos. A moça que afirma dedicar-se com afinco a campanhas contra os maus tratos a animais aparece em uma meiga imagem agradando um cachorrinho, que foi posterirmente espancado por ela em “um dia de fúria”.

Na rede social, assim como na sociedade pseudo-politicamente correta, não há espaço para a dor, para a infelicidade, para a perda, para o fracasso. Ninguém falha, ninguém erra, no máximo torna-se vítima. Chega a ser desalentador tamanha preferência ao artificialismo em detrimento à riqueza, intensidade e complexidade da experiência humana.

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Insanidade coletiva

Seguinte: uma brasileira com cara de filhinha do papai leiloa a virgindade por US$1,5.ooo.ooo,00.  A Xuxa consentiu em ficar morena pela bagatela de RS$2.ooo.ooo,oo.  A Globo,por sua vez,  está pagando ao Ronaldo não sei exatamente quantos milhões para perder peso. Gente! Como estou desinformada… Eu não sabia que o Brasil já não tinha mais a mínima necessidade de qualquer repasse de renda ou obra social. Que beleza, não? Lembrem bem os nomes citados quando aparecerem pedindo doações para “Causas Nobres” como Criança Esperança, Teleton, Mc Dia Feliz e afins… Afinal, hipocrisia pouca é bobagem!

Human Feelings – the most trecherous vice of all

Human feelings are, mostly, troublesome, deceitful  and hard to put into a square. But this I´ve been noticing since I´ve met  a certain person… It´s nearly insane.

Here I am, a 29 years old woman, simply and plainly a teenager again, kissing photographs and wishing the person was here, by my side, all the fucking time. I work, have lunch, chat non sense, shower, sleep, not sleep, all thinking about him in the back of my mind. I do not spare a moment. I can´t breath, I suffer, I can´t find info about him. It´s disgusting, it´s shameful, it´s happening and I am into it alone. I think of funny things I should say the next time I see him, all things he defenitely must know about me, I picture how must be his house, does he have a house, or would he like to move into mine?

And all this with a person I saw, damn it, f*ck, I can´t beleive it myself, I swear, I saw TWICE. I can´t even recall the first impression he made me. Only, and that was everything, I accidently and suddently saw a f*cking picture of him and this all started. Hell, hell, holy sh*t, I still can´t beleive this is f*cking happening at me AGAIN, a mother, a family leader, a 29 years old responsible woman.

Dilema

Crise existencial alavancada por aumento considerável de peso, o maior nos últimos 03  anos. Soluções possíveis:

1) Conseguir um namorado não-platônico (já que a única atividade aeróbica para a qual tenho disposição exige um segundo participante);

2) Parar de comer (fala sério, até parece…);

3) Não ligar e que se dane, já tenho quase 30 e sou chefe de família mesmo!

Adolescência

Ontem peguei a lotação Berrini dez minutos mais cedo (nota: só em São Paulo você sai com dez minutos de antecedência pois precisa chegar ao destino final uma hora antes).  O itinerário corta a ETEC Roberto Marinho, que possui os cursos de moda e design interior. Logo, abaixo da Ponte Morumbi, toda a sorte de alunos, alunas e andróginos adentrou o veículo.

Não que eu me incomode com essa ruidosa galera cool, não, longe disso. Há pouquíssimo tempo (digo, uns dez anos) eu era até um deles.  O problema é que…  E esqueci como era ser, “tipo assim”, como  eles. Esqueci como era viver sem me preocupar com IPTU, IPVA, licenciamento do carro, preço da cesta básica, horário do último trem, será que o décimo terceiro vai ser suficiente para as despesas de fim de ano, exame periódico, enxaqueca racha-crânio, enfim. Como era bom querer morrer porque a nota de corte para a carreira de Direito subiu dois décimos, chorar porque a Britney traiu o Justin com o Nick Carter, pedir para mudar de sala pois a turma não tinha nenhum BFF, cabular a aula de Educação Física para adiantar a lista de exercícios de Física (sorry, mas Educação Física não cai no vestibular…).

Bem à minha frente, providencialmente, sentou-se uma mocinha morena de All Star, bolero rendado preto e cabelo crespo relaxado. Que inferno era não ter dinheiro/conhecimento para dar um tratamento decente aos cabelos. Como minha mãe tinge os meus cabelos desde os dez anos (em uma vã tentativa de que, ao menos em aparência, eu me assemelhasse mais a ela) eu sempre tive um cabelo crespo, armado e ressecado. Hoje, com queratina, óleo de argan e meia horinha em paz em casa, dá-se jeito em quase todos os dramas capilares. Como era incômodo ter de usar ad eternum rabo de cavalo e/ou trança. E aqueles tic tacs. E aquelas fivelinhas. E dá-lhe gel de cabelo. O inferno.

Bolero rendado é uma tendência. Estudei da primeira à oitava série em Escolas Estaduais e o Ensino Médio em uma instituição religiosa; nessa época, descobri que quem lança tendências e se preocupa com apresentação e asseio são, majoritariamente, as moças de escolas públicas. Elas variam cores, misturam bijuterias, experimentam novos cortes de cabelo e penteados. O pessoal das escolas privadas tem camisetas rotas, jeans com aparência artificialmente envelhecida e muita, muita preguiça de acordar mais cedo para se arrumar.

Cheirinho de chiclete de morango. Quem de nós não usou alguma colônia com aroma frutal, de preferência de cor rosa? Hoje temos a Pucca, mas a fragrância Strawberries & Champagne da Victoria´s Secret é minha favorita.   Quando está em falta, opto pelo da Mahogany. Sempre é bom lembrar que sou uma jovem adulta, embora o fardo de ser chefe de família às vezes desgaste um pouco forças e bom humor. E os meus dias de estudante não estão tão distantes assim… Sempre há um aroma disponível para resgatar as lembranças.