Porque eu amo tanto Morten Harket

               

Morten Harket é um ser humano que desperta em mim os mais primitivos sentimentos há muito, muito tempo.  Desde pequena, notei que  sua voz é mais do que um mero incentivo para modificar qualquer estado anímico – da euforia à mais profunda melancolia em quatro oitavas de voz máscula, reflexiva e aveludada.

Não é, absolutamente, um segredo o fato de que eu sou atraída por pessoas excêntricas. De Jane Austen a David Bowie, figuras que ousam transpor os limites do convencional exercem um fascínio sobremaneira em minha mente. Essa admiração tende a aumentar sempre que constato que o ser humano em questão opta por fazer o que quer, o que gosta, o que acredita ser correto e não meramente o que é esperado dele. Mas Morten é diferente. Morten não é somente o famoso “do contra”.  Não é, tampouco,  uma questão de ego, ou de desprezar os singles do A-ha que o tornaram famoso. Não. Morten é talentoso. E Morten é um indivíduo. Nada mais lógico, portanto, de Morten Harket, em um concerto de Morten Harket, priorizar temas de Morten Harket. Ponto.

Daí a razão pela qual quase comprei briga com uma moça sentada à minha frente, na fileira B, por ter a ousadia de afirmar que ele não estaria ali senão pelo A-ha, logo,  ele tinha obrigação de cantar Take on Me.  Filhinha, quando a pessoa é talentosa, ela não precisa estar no local certo, na hora certa. Ela não precisa de uma oportunidade. Ela FAZ a oportunidade. Além dessa ingênua apreciadora do trio, não tanto quanto do indivíduo, um sem-noção na fila Z (brincadeira, não tem fila Z no Credicard, mas ele estava tão atrás que parecia) ficava gritando insistentemente, “Take on Me! Take on Me!” ao que Morten, educadamente, respondeu: “vejo que vocês têm suas músicas favoritas do A-ha; eu também tenho as minhas. Que tal esta agora?” e dá-lhe Foot of the Mountain, de sua autoria   (é um cavalheiro, de fato! Love you, SweetHarketHeart).

Não que eu não tenha saído frustrada do show. Faltaram temas de Letter from Egypt, faltou um tema em norueguês (quando vou ter outra oportunidade de escutar uma música que seja nessa línga tão maravilhosamente sonora?!), faltou um cover como Question of Lust, do Depeche Mode, ou Can´t Take my Eyes of You, do Bobby Darin, cujas releituras propostas por Morten são esplêndidas. Mas, em uma hora e meia de show ( e um orgasmo múltiplo quando ele interpretou a trilha sonora da minha vida, Movies) foram apresentadas canções maravilhosas que atestam todo o talento, versatilidade e sensibilidade de Morten. Temas profundos, verdadeiros, repletos de sentimentos e com toda, toda, toda a extensão da performance vocal do ser humano que, sim, empresta a voz ao mega hit Take on Me, mas não se limita a isso. É capaz de exceder todas as expectativas, continuamente. E dá-lhe múltiplos orgasmos musicais!

Sinopse da Livraria Cultura – VERGONHA ALHEIA!

“Em virtude de terem cometido pequenos delitos, cinco adolescente são confinados no colégio em um sábado, tendo de escrever uma redação de mil palavras, sobre o que eles pensam de si mesmo. Apesar de serem pessoas bem diferentes, enquanto o dia transcorre passam a aceitar uns aos outros e várias confissões são feitas entre eles.”

Sorry, Molly, but I want my money back!

PS

PS. Ao contrário do que muita gente pensa, machismo não é tratar uma mulher como ser “inferior” (delicado, frágil, fraco, etc.).

Machismo é discriminar o tratamento dado a um homem E a uma mulher na MESMA SITUAçãO