Eu Sou Paulistana.

Eu sou Paulistana. Não paulista, não brasileira, não latinoamericana. Paulistana. Nós, paulistanos, somos assim:

Não andamos. Ora corremos, ora nos arrastamos, a última coisa que espere ver por aqui é andar.

Vemos o Sol nascer de dentro do trem, do ônibus, do carro. E vemos o Sol se pôr de dentro do trem, do ônibus, do carro.

Somos estressados. E temos orgulho do nosso estresse. Olhamos com receio pessoas tranquilas e felizes. Muita gente diz que São Paulo carrega o Brasil nas costas; eu prefiro dizer que pessoas do Brasil inteiro que se propõem a trabalhar muito e crescer financeiramente, em algum momento da vida, passam a residir em São Paulo. E passam a ser Paulistanos. Sem distinções.

Paulistanos não toleram que pessoas de outras partes reclamem da nossa cidade. Nós podemos nos queixar o quanto quisermos – os demais, não. Quando eu era estudante, às vezes umas meninas reclamavam muito dos ônibus lotados. Eu, de mal humor, um belo dia, respondi: “Claro que os ônibus são lotados, gente do Brasil inteiro vem estudar na USP; até parece que não há universidades federais em todas as capitais do país”. Desde então, nunca mais ninguém reclamou de nada (na minha frente).

Paulistanos gostam de picanha. E de cerveja. Não venha nos oferecer franguinho grelhado e água mineral, pois isso só toleramos nos spas nos quais nos enfiamos antes do Carnaval e das férias na praia.

Paulistanos compram pela internet. Roupas, comida, eletrodonésticos, livros, perfumes, serviços. Entramos em fila de banco só para negociar dívidas. Amamos uma fila. Só compramos pastel de feira na barraca mais cheia – a vazia, mal enxergamos.

Paulistamos têm muita resistência a traumas emocionais. Somos assaltados, mas comparecemos ao compromisso agendado. Mesmo quando somos rendidos a caminho do emprego, não perdemos um dia de trabalho. Deixamos nossos filhos no ponto de ônibus, levamos até a casa do amigo, buscamos do metrô. E ligamos ao celular a cada uma dessas etapas.

Paulistanos não fazem listas de supermercado em papel, têm uma planilha no Excel com cada ítem crítico, que fica em destaque em cor diferente quando está a menos de 30%.

Paulistanos não vão à praia, vão ao shopping e relaxam com o barulho relaxante da água das fontes.

Paulistanos amam São Paulo. E trata-se de um amor verdadeiro, resistente e tolerante às etapas árduas do relacionamento.

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