W.E.- O romance do século

Desde a pré adolescência, sou muito fã da Madonna, como cantora, atriz, dançarina, filantropa e empresária bem-sucedida. Madonna incorpora todos os valores que eu defendo: utilização do dinheiro como meio, não como fim, a não-demonização da ambição, combate à homofobia, ambivalência moral e não vergonha dos dotes sexuais. E, com o passar dos anos, minha admiração por ela não diminuiu.

Infelizmente, no entanto, como todas as pessoas que amamos e nos esforçamos para compreender melhor, Madonna e eu temos algumas divergências. Até o momento, essa divergência assentava-se somente no modo pueril como ela não assumia a própria idade. Não preciso lembrar aquele video clip patético no qual ela é carregada pelos jogadores de futebol americano e ovacionada pelas líderes de torcida de uma escola cenográfica. 

Mas agora sinto que compreendi melhor o cerne da questão. Madonna não quer fingir que é jovem por ser obtusa quanto às imensas vantagens de ter sua idade atual e sim porque não acredita em forma alguma de amor desvinculado da aparência física. Explico.

Tudo ficou mais claro para mim após assistir ao filme W. E. – O Romance do Século. Esta narrativa dirigida, produzida e co-escrita por Madonna, conta a história de como o príncipe Edward abdicou do trono inglês para assumir seu relacionamento com a bi-divorciada norte-americana, vítima de violência doméstica, impossibilitada de ter filhos e não exatamente lindíssima Wallis Simpson. Essa premissa, que tinha tudo para ser uma releitura do conto da Cinderela, foi totalmente desvirtuada pelo olhar cínico e cético de Madonna que, para dar uma leve (eu diria, articifial e desnecessária) amenizada, introduziu um segundo casal, com a fã de Wallis vivendo nos dias atuais Wallie e seu galã russo Evgeni, para a casa do qual se muda em uma semana, mais ou menos, após ser (como Wallis na abertura do filme) agredida pelo marido ególatra e psicótico.

Wallie vai pesquisando, a duras penas, a vida íntima do casal exilado a fim de compreender os motivos das escolhas de ambos para ao final, desvendar toda a amargura e arrependimento vivenciadas pela imensa solidão de Wallis. Era realmente necessário expor essa visão tão descrente do “romance do século”?

Para Madonna, sim. Sem desculpas. Porque também ela, bi-divorciada, casada por dez anos com um cineasta inglês, não encontrou a felicidade. E, se ela, ambiciosa, lindíssima, uma mulher extremamente astuta e poderosa não obteve o que se propôs, como uma mera exilada poderia?

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