O paradoxo do relógio

(Nota: quem for à minha casa a partir do dia 12/06 poderá assistir aos melhores filmes dos anos 80, bem como maratonas de meus seriados favoritos na TV de tela plana 42″ e Home Theather)

Revendo meu filme favorito de tooooooooooooooooooooooooooooooodos os tempos, Somewhere in Time (1980) finalmente me dei conta de um pequeno erro, ou antes um paradoxo que fica inexplicado: o relógio de ouro.

Recapitulando:  a ação se inicia em 1972, quando Richard Collier está em uma festa após a estreia de sua primeira peça encenada, “Too Much Spring”. Inesperadamente, surge uma velha dama (que sabemos representar a versão octogenária da personagem de Jane Seymour, Elise McKenna) que lhe entrega um relógio de ouro e lhe pede que “Volte para mim”. Sabemos que este “volte” se refere ao retorno para o ano de 1912, quando ambos se conhecem no Grand Hotel, cuja réplica em miniatura ela possui em sua casa.

Muito bem. Em 1980, Richard se hospeda no referido hotel e se apaixona por uma foto de Elise, que depois vem a descobrir, maravilhado, se tratar da mesma dama que o presenteou com o relógio. Fica ainda mais estarrecido ao descobrir que ela morreu logo após fazê-lo e, em sua casa, encontra as primeiras pistas do quebra-cabeças: um livro sobre viagens no tempo redigido pelo seu ex-professor de Filosofia da faculdade e a sinfonia de Rachmaninoff, seu compositor favorito.

Após uma breve conversa com o professor, Richard decide voltar a 1912 quando Elise encenaria uma peça no Grand Hotel (já que é possível transportar-se no tempo, mas não no espaço) utilizando a auto-hipnose. Aqui, abre-se a possibilidade de tudo haver sido um sonho ou mesmo uma alucinação, afinal Richard poderia ser um escritor neurótico, Elise uma insana senil e o relógio, a sinfonia e o livro grandes coincidências. Mas vamos ao pacto ficcional e crer que Richard de fato retrocedeu 68 anos para cair nos braços amorosos e acetinados de sua amada Elise.  

Após uma série de peripécias ao som de Rachmaninoff e o tema de John Barry (de que eu particularmente gosto mais, por ser mais profundo e melancólico que a alegre rapsódia do compositor russo) Richard e Elise fazem amor e, sendo este um filme romântico,  a performance exige que ambos pratiquem o ato desnudos, de modo que ele tira o relógio.  E esse relógio permanece no quarto de Elise, quando ele regressa (0u avança, enfim) a 1980, logo, o relógio que ele perde em 1912 é precisamente o que ela restitui em 1972, de modo que em 1980 ele deve, obrigatoriamente, portar o relógio para o salto no tempo.

 Agora, minha dúvida – qual é a origem do aparelho?  Quando ele foi fabricado? Ou será um objeto mágico, precisamente o elemento que permite a transição entre os períodos?  Se pensarmos bem, Richard deve perder o objeto para que a restituição do mesmo suscinte a busca pelo amor no passado, de modo que o romance entre o casal só é possível a partir desta desilusão provocada pela súbita e inesperada separação. Mais uma vez, é corroborado o argumento de que algumas coisas simplesmente têm de acontecer de uma determinada maneira para manter a ordem.

Resta esclarecer o paradoxo do relógio, muito embora no amor, assim como na ficção científica, é sempre melhor manter certo mistério.

starring: Christopher Reeve, Jane Seymour and Christopher Plummer

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