Fifty Shades of Carrie

After reading so many comments about this novel, even from one of my blog friends, and getting some sort of info at Google, I decided to surrender (literally) to the erotic journey of Anastasia Steele and Christian Grey.

Oh, I love methaliterature.  You want to talk about other people´s masterpieces, become a critic. You want to discuss seriously and/or mock other people´s masterpieces, become a methaliterature writer.  That´s what housewife-mother-author E L James just did beautifully.

Do you know that fake romance novelbooks one can always find anywhere? I mean, that Harlekin crap. Millionaires marrying innocent virgin girls for family revenge, a misunderstanding of the past, a bet or anything even more stupid out of the blue. Then, they discover the wives are pure, they apologize (after torturing, manipulating, bullying and in some 80´s plots, sometimes even beating them up a little) and they live happily even after.

That´s the start of relationship of Literature college student Anastasia and lavish billionaire Christian Gray. Yes, Gray, like Dorian Gray, not Grey, like Grey´s Anathomy. That is spetacular – Christian Gray has all the features of a perfect gentleman – he´s kind, polite, thoughtfull. And rich. Undendessly wealthy. Poor Anastasia feels guilty only by accepting a few books ( Tess of the Urbervilles and Sense and Sensibility) and some used clothes, as Harlekin heroin manual must guide.

But here fantasy ends and reality hits. Christian is a billionaire. Billionaires are smart. And cold minded. And powerful. And, as we all know,  power creates a strenght itself, a strenght that sucks the souls of troubled men – and troubled is the less you can say about Christian. He´s a pervert. He´s a freak.  He´s corrupted. Christian Gray will open the doors of his PlayRoom to finally show us all what happens at unwritten pages of Harlekin books, when the husbands grow tired of their stupid little wives and life becomes not interesting as it used to be, when they had the complete control over their own lives. And control is the key word here.

Christian proposes the rules of the only relationship he would accept: Ana has to sign papers assuring she will not share any sort of information about whatever happens between them and also consenting in giving him entire control over her life – meals, clothes, exercise, hours of sleep. And the rules, as Christian fatherly explains, are for her benefit and his pleasure. The more she surrenders, the more he will be pleased. And, as the honest dealer he actually is, Christain even shows her the Red Room of Pain, which will be the place of the punishments whenever she disobbeys his fair rules. That explains the baptism name Christian, as the room could belong to any Middle Age Catholic Inquisitor.

And now we´re back to Harlekin novels. What does heroin now ask? “Can I have a cab outta here, please?” , “Christian, have you ever considered seeing a therapyst?” ,  “How come you became a sadist freak?”.  No, no, no, gentle ladies. Lovely maiden Ana simply asks, “If I sign this, we will make love?”.

Awesome! Dear midwife author, I love you so much. I had never really had a more authenthic laughter my entire life. The girl is absolutely delightful. She does not even give up at Christian´s answer: “No,  Ana. I don´t make love. I f*ck. And hard.”  (I just love that line!)

Christian is troubled, he has a dark secret, he hides so much sadness within himself. Nevertheless, he has this even darker and dangerous secret – he wants to be softned up. He wants to let go. He wants to be ruled (just a little bit, of course) by a girl he loves – and trusts. A strong example of how much he suffers on things beyong his control is the pregnancy of Anastasia, completely unexpected. It is the first time he gets drunk  – and seeks for Mrs Robinson, the very reason of his messed up sexual needs.

But Christian can´t trust. Trust issues is the smallest way to define the wounds he hides in his heart – his secret place. Even in exceptional lovemaking (as he admitdly does not make love), he can´t consent taking off his shirt, because it would expose his sensitive spot. The desire of having entire control over every move, thought or reaction of choosen beloved object, as to have an entire and complete surrender, the golden garantee of never being brokenhearted and/or cheated  is also my favourite pervert fetish.

Oh, I also have to explain to myself and (others) why I am so ridiculously in love with dearest control freak Christian Grey.

I am a person quite independent. I generally do not like being told when, how or why to do something, even worse having something done for me. I. Absolutely. Hate. It.  That must make to sound odd when I say I am in love with this troubled man who has dark secrets, sexual issues, Oedipus complex, over protective tendencies and is a real maniatic about control. So, I would have a hard time becoming his Sub, right?

No. Dominant Christian is not a perv. His fetish is not about humiliation or making women feel less inteligent. His idea is not to keep a woman under his boots, no, no, no. He is a man who is afraid of pain (in him), afraid of being deprived of what he takes as his right to possess. He is a control freak, because he understands that human nature is made of failure and deception.

Branca de Neve e o Caçador

De todos os clássicos da Disney, nenhum me incomoda tanto quanto Branca de Neve.  Que heroína mais insossa, limpando o poço do castelo quando, subitamente, passa um príncipe maravilhoso em um cavalo branco e ela se esconde timidamente por trás dos animaizinhos que a ajudam nas tarefas domésticas! Simplesmente patética! E, quando o caçador vai executar a performance, é até compreensível que ela o perdoe, mas a madrasta (…!). Por favor, respeitem minha inteligência em constante ascensão e aperfeiçoamento. Sem comentar o estereótipo corporal eleito pela Disney, uma figura desprovida de busto, glúteos e que atinge a quintessência da experiência humana cozinhando e limpando. Sem o elemento trágico de predestinação da Bela Adormecida ou o caráter transgressor de Belle, Ariel, Jasmine, Pocahontas e Mulan, não sobrou muito para conquistar minha afeição nessa branquela.

Convém ressaltar que, desde a infância, sempre tive essa desconfortável tendência de torcer para o vilão. Não que minha aversão ao maniqueísmo já houvesse começado tão prematuramente – ocorre que um dos elementos que define minha natureza, digamos, idiossincrática, é a meritocracia. Faça por merecer, é meu lema. Até porque é quase impossível não desmerecer o que nos vem sem esforço – e não valorizar o que foi arduamente conquistado e mantido.

Exceto nos filmes de James Bond, o vilão sempre, sempre, SEMPRE tem esquemas mais criativos e elaborados que o heroi para atingir seus objetivos. Batman, por exemplo – dotado não só de inteligência acima da média, como de fortuna ilimitada, o cara consegue ter um carro que vira lancha ou helicóptero, dependendo da necessidade. Não é de surpreender que eu sempre torça para que as artimanhas felinas de Selina Kyle superem a armadura invulnerável deste antipático! E o Superman, então…? Além de exercitar seus dotes dramáticos interpretando o desengonçado Clark Kent, que esforço esse simpático alien faz? Foi salvo da aniquilação por Jor-El, adotado pelos amorosos Kent e toda sua força é fornecida gratuitamente pelo Sol. O máximo de precaução que deve ter é evitar os resquícios de kriptonita e, ainda assim,  é tão acomodado que nem se preocupa em descobrir onde está armazenada para eliminá-la, trabalho que seus inimigos sempre têm. Já Lex Luthor, que mente iluminada!  Arma um plano magnífico que une a especulação imobiliária do Vale do Silício a uma total reconfiguração do mapa dos Estados Unidos! Espetacular! Que desilusão, quando falha!

Daí vem a constatação obvia que eu, logo de cara, já sabia que ia torcer para a madrasta, Ravenna. Ainda mais reconhecendo a constatação evidente para qualquer um, menos o responsável pelo casting, de que Charlize Theron é notoriamente mais bela que aquele filhote de Cruz Credo que atende pelo nome de Kristen Stewart. Sedutora desde a pronúncia e prosódia  perfeitas até o último de seus gloriosos fios de cabelo, a personagem é infinitamente mais impactante e complexa que qualquer heroína de contos de fada. Os flashes de seu passado e os caminhos que a levaram ao status de escrava do poder, da beleza e da eterna juventude, vão muito além dessa tendência do cinema e da literatura de humanizar os antagonistas. Mas já que o título do filme não é Ravenna e o Filhote de Cruz Credo, vamos à heroína.

(nota: Kristen Stewart de fato não consegue fechar a boca totalmente ou ela acha aqueles dentões tortos sua marca mais sexy ?!)

Branca de Neve vem a atender todas as demandas dos demais personagens, metamorfoseando-se a cada nova necessidade: a mãe queria uma filha com características que aliassem beleza e resiliência; o pai precisava de uma vingadora; o povo, de um líder inflamado com discurso motivacional; o caçador, de uma alma caridosa que o rendesse; o príncipe, de um ideal de criança para resgatar suas melancólicas recordações de infância; a madrasta, um coração jovem para recuperar a beleza. A personagem não se define por si própria, mas por assistir aos demais. Ao contrário da madrasta, não possui identidade, não se busca no espelho.

Nessa constante reconfiguração, a cada novo quadro, perde-se a essência da heroina, que termina o filme com um perfil indefinido: não é uma donzela delicada, mas tampouco uma nobre amazona, muito menos uma Guinévere relutando e expondo sua confusão mental como cerne de um triângulo amoroso.  Como Kristen Stewart, que magicamente consegue papéis em produções muito além de sua capacidade, creio que a vitória dessa heroína consiste apenas em estar do lado correto da equação.

Até onde chega (a falta de limites de) um sem-noção

Bom dia, queridos leitores e leitoras. Hoje, vou expor um pouco mais da minha intimidade do que costumo, portanto peço que almas sensíveis se abstenham da geralmente mais agradável leitura do meu blog.

É de conhecimento de minhas amigas e amigos que ano passado eu entrei de cabeça em um relacionamento mais do que desastroso com um engenheiro que trabalhava no mesmo departamento.  O que motivou a consentir com tamanho desrespeito ao qual fui exposta ao longo da relação, eu sinceramente ainda não sei. O que posso afirmar com certeza é que, quando um relacionamento começa pelas razões equivocadas, não há modo com que se consertem as coisas para terminar de maneira satisfatória.

O mais perto de conclusão à qual cheguei na época é que não se começa um namoro com baixa auto estima, pois homens farejam insegurança como um gato fareja pombos no quintal e se aproveitam, mercenária e predatoriamente. Dito, feito, comprovado e documentado.

Isso criou, na época,  um paradoxo intransponível para mim, visto que eu entrei nessa relação como forma de me sentir valorizada como mulher, já que meus dois namoros anteriores tinham sido terminados pela outra parte,  com justificativas altamente incômodas, como, por exemplo, “que eu era muito santa” e que é muito difícil discernir quando estou sendo séria ou irônica (vamos combinar que um pouco de bom senso sempre cai bem em todas as situações).

Sentindo-me carente de atenção masculina (um sentimento ridiculamente patético, admito, mas ainda assim potente e perigoso) aceitei um primeiro convite deste rapaz para um almoço sábado, no qual surgiu já um segundo convite para um cinema no dia seguinte e… lá fomos nós.  Entramos amigos, saímos namorados. Agora, qual leitora de romances de banca de jornal enquanto aguarda o efeito da hidratação num salão de beleza desconfiaria de um enlace tão rapidamente resolvido?

 

Nessas horas difíceis, lembremos aquele brinquedo que queríamos mais do que tudo na infância: nos comportávamos bem, tirávamos boas notas na escola, mas era tão caro que tinhámos de esperar Natal, aniversário, dia da Criança ou décimo terceiro salário de um dos pais para finalmente ganhá-lo. E, quando vinha, o medo de perdê-lo ou estragá-lo era tanto, tanto, TANTO que acabávamos nem usufruindo dele corretamente. Enquanto que, por outro lado, os brinquedos que ganhávamos facilmente, que vinham de brindes em doces, que recebíamos em feiras na escola, etc., eram descartados quase de imediato ou cruelmente ignorados o resto de sua curta existência (visto que eram geralmente perdidos ou quebrados num flash, sem direito a pranto). Só uma pessoa muito carente se esquece desse “fator fetiche”  ao iniciar um relacionamento – e  outra muito oportunista e de moral duvidosa vê uma situação assim configurada como campo fértil para obter suas sórdidas intenções.

Ah, também por acaso neste relacionamento, descobri o que todos os livros de autoajuda femininos habilmente se esquecem de mencionar: mesmo quando o cara simplesmente não está a fim de você, mesmo quando não quer NADA,  este suposto “nada”…  Não. Inclui. Sexo.

Outra cortesia da minha “criação” (melhor seria denominar “aniquilação”): sou incrivelmente cética quanto à questões amorosas. Não é que eu não confie. Digamos que eu faço uso da máxima “confie desconfiando“. Mas eu quero confiar. Oh, como quero. Não obstante, como saberei se posso ou não confiar sem expor o “confiável” em algum momento a uma situação de risco? Só que a prova não vale se só ele estiver em perigo; eu tenho de estar em risco também.

Foi então, mononeuronadamente,  que eu me expus a uma situação asquerosa, embaraçosa e, francamente, que não condiz com minha personalidade. Sinceramente, aquilo não SOU EU. Mas fiz, ainda assim. E foi bom; não, não foi uma coisa aproveitável mas teve um resultado proveitoso – descobri o quanto a pessoa com quem eu estava ficando era covarde e dependia da minha esparsa masculinidade para se esconder atrás de mim em uma crise.

Oh, and  plus: como ferramenta de manipulação, vinculou, verbalmente, a possibilidade de vir a desenvolover um sentimento de afeto à minha adorável pessoa (admitindo, portanto este fator como ausente até então) à realização do ato sexual em circunstâncias, digamos, atípicas. Realmente, mereço isso?

Ah, sim, desculpem. Esqueci um detalhe: um ano depois, tendo pedido gentilmente (como é meu estilo) a essa criatura que me esquecesse absolutamente, ele responde a um e-mail banal que nem havia sido escrito por mim, estava apenas copiada, perguntando com a maior intimidade como eu estou e sondando se podemos seguir amigos. Sou só eu que acho isso estranho?

Sim, sou apenas eu. Ninguém com quem conversei a respeito achou nada de mais.  Desculpe, mas amigo para mim tem outra acepção. Amigo é uma pessoa em quem deposito confiança, avessa a manipulação, com nada a obter de mim exceto apoio, sinceridade e afeto. Eu conto meus amigos nos dedos de uma mão, até porque não sei o que eles vêem em mim. Eu mesma confesso que sou péssima amiga. Sou estúpida, mal humorada , avessa a compromissos, tenho opiniões polêmicas, vivo esquecendo o celular no carregador em casa. Isso quando não enfio o nariz num livro ou seriado e esqueço que há um mundo lá fora.

Mas não foi por isso que ninguém achou estranho, não, não, não. Foi porque a sociedade está concedendo um status tão alto e tão estupidamente desejável à mulheres que têm um homem, ou que se pareça com, que esses trastes desprezíveis acham natural que relevemos, não importa o quão desrespeitoso tenha sido o tratamento que eles nos deram. Simplesmente asqueroso.

Conclusão: não comece nada da maneira errada, pois as chances de acertar ao longo do percurso são mínimas. Se sua autoestima não anda lá nas alturas, finja que está e atue como tal. Nunca arrisque nada que não esteja pronto para perder. E não, não aceite qualquer desrespeito verbal, implícito ou em atos.

 

W.E.- O romance do século

Desde a pré adolescência, sou muito fã da Madonna, como cantora, atriz, dançarina, filantropa e empresária bem-sucedida. Madonna incorpora todos os valores que eu defendo: utilização do dinheiro como meio, não como fim, a não-demonização da ambição, combate à homofobia, ambivalência moral e não vergonha dos dotes sexuais. E, com o passar dos anos, minha admiração por ela não diminuiu.

Infelizmente, no entanto, como todas as pessoas que amamos e nos esforçamos para compreender melhor, Madonna e eu temos algumas divergências. Até o momento, essa divergência assentava-se somente no modo pueril como ela não assumia a própria idade. Não preciso lembrar aquele video clip patético no qual ela é carregada pelos jogadores de futebol americano e ovacionada pelas líderes de torcida de uma escola cenográfica. 

Mas agora sinto que compreendi melhor o cerne da questão. Madonna não quer fingir que é jovem por ser obtusa quanto às imensas vantagens de ter sua idade atual e sim porque não acredita em forma alguma de amor desvinculado da aparência física. Explico.

Tudo ficou mais claro para mim após assistir ao filme W. E. – O Romance do Século. Esta narrativa dirigida, produzida e co-escrita por Madonna, conta a história de como o príncipe Edward abdicou do trono inglês para assumir seu relacionamento com a bi-divorciada norte-americana, vítima de violência doméstica, impossibilitada de ter filhos e não exatamente lindíssima Wallis Simpson. Essa premissa, que tinha tudo para ser uma releitura do conto da Cinderela, foi totalmente desvirtuada pelo olhar cínico e cético de Madonna que, para dar uma leve (eu diria, articifial e desnecessária) amenizada, introduziu um segundo casal, com a fã de Wallis vivendo nos dias atuais Wallie e seu galã russo Evgeni, para a casa do qual se muda em uma semana, mais ou menos, após ser (como Wallis na abertura do filme) agredida pelo marido ególatra e psicótico.

Wallie vai pesquisando, a duras penas, a vida íntima do casal exilado a fim de compreender os motivos das escolhas de ambos para ao final, desvendar toda a amargura e arrependimento vivenciadas pela imensa solidão de Wallis. Era realmente necessário expor essa visão tão descrente do “romance do século”?

Para Madonna, sim. Sem desculpas. Porque também ela, bi-divorciada, casada por dez anos com um cineasta inglês, não encontrou a felicidade. E, se ela, ambiciosa, lindíssima, uma mulher extremamente astuta e poderosa não obteve o que se propôs, como uma mera exilada poderia?

Only Marianne Dashwood would understand me now

Let me not to the marriage of true minds

Admit impediments. Love is not love

Which alters when it alteration finds,

Or bends with the remover to remove:

O no! it is an ever-fixed mark

That looks on tempests and is never shaken;

It is the star to every wandering bark,

Whose worth’s unknown, although his height be taken.

Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks

Within his bending sickle’s compass come:

Love alters not with his brief hours and weeks,

But bears it out even to the edge of doom.

If this be error and upon me proved,

I never writ, nor no man ever loved.

William Shakespeare  

(1564 – 1616)

Prosa em poema (porque todo o mundo sabe que eu sou demasiado Realista para escrever poesia, muito menos Romântica)

Perdão, amor.

Sei que não agi bem com você.

E o pior de tudo

é que já não sei mais o porquê.

Queria que nosso sentimento

fosse simples e natural,

como meu gato. (Sim, meu gato)

Ele vem a mim porque

 aceita que me ama

e sabe que eu o amo.

Ele vem ao início da madrugada, deita, pede carinho, estica-se, toma posse.

Agora, nós,… nós somos estúpidos.

E irracionais.

Fugimos daquilo que nos torna vulneráveis,

quando a fragilidade

é a última característica da pouca humanidade que ainda nos cabe.

Fugimos do que nos é confuso, obnubilado, misterioso

buscamos o prazer (mas somente o garantido e imediato)

e nos recusamos a nos comunicar. Por palavras ou o que seja.

Testamos. Tudo agora deve ser testado. Porque queremos comprovações. E resultados; e recompensas. Públicas, preferencialmente.

Não atribuímos significado algum às palavras que usamos. Ofendemos o sentido mesmo das poucas que atravessam nossos lábios comprimidos pelas dúvidas

e hesitação.

Não é mais possível, é tarde já.

Porque se quase tudo se resgata, mesmo o amor,

O tempo, não.

E agora perdemos a deixa,

víamos a cada dia o caminho que se estreitava mais mais

para hoje, finalmente, ter deixado de existir.