Boicote ao Teatro Vivo

Todos que me conhecem sabem que quando eu não aprovo algum produto ou serviço,  seja por razões práticas ou ideológicas, não somente boicoto, mas recomendo a outros fazerem o mesmo com argumentos, digamos, contudentes. Já assim foi com vários spas, cabeleleiros, manicures, Mac Donald´s, produtos Coca-Cola, livraria Saraiva. Mas agora achei uma nova “vítima” para esse meu crivo: teatros.

Todo ator que faça jus ao nome já leu Shakespeare. Todos, exceto Marcelo Antony; ele só se debruçou sobre a obra do amado Bill devido à estreia de seu papel principal em Macbeth (!!!).

Não que eu seja ingênua para supor que todos os autointitulados “atores” devessem estar familiarizados com a obra do maior autor dramático de todos os tempos, o único escritor cuja obra foi traduzida para todas as línguas, feito que nem a Bíblia Sagrada conseguiu. Não, nhão, nhãom. De fato, se a pretensão do ser humano em questão é ser uma celebridade global e estar com o cabelinho mais solicitado nos salões do Brasil, ao melhor estilo Grazi Massafera/Taís Araújo, ser um leitor inveterado de Shakespeare é até desaconselhado. Mas atores de verdade, que visam interpretar (não apenas aparecer/lucrar), querem conquistar admiração, regozijo, repulsa, enfim, despertar sentimentos passionais de seu público… Come on, dude. No mínimo, Sófocles, Eurípedes e Shakespeare. No Mínimo.  

O problema é que o brasileiro médio lê tão pouco, tão pouco, que até uma afirmação banal como a de Antony, aos olhos de muitos, reflete um ponto acima do ordinário. Inclusive, não seria de surpreender se ele tivesse lido tão-somente a adaptação da peça e desprezasse o original. Dado o contexto, é até de bom tom que ele pelo menos tenha tido o bom senso de ler os originais shakespeareanos.

Agora,  perdoada a aversão a Shakespeare dos autores consagrados, vamos ao que eu considero imperdoável e constitui a razão crucial para o meu boicote: o papel de Lady Macbeth será interpretado por…UM HOMEM!

Pois é, caros blogfriends. Lembram-se daquela época obscura, tenebrosa, quando o mundo era assolado pela praga, a Igreja Católica queimava na fogueira as ruivas e a profissão de ator era demasiado indecorosa para ser exercida por uma mulher? Bons tempos, não? Por que não resgatar essa excelente tradição, não é mesmo? Afinal, Ana Paula Arósio, que foi cotada para o papel (e, diga-se de passagem, frequentou a Faculdade de Letras da USP durante um par de anos e nunca perdeu uma aula do John Milton, maior especialista de Shakespeare radicado no Brasil)  jamais conseguiria transmitir a elegância e perversidade de Lady Macbeth, não como um homem certamente conseguiria.

Resumo da ópera (ou tragédia, enfim): NãO VOU NEM ARRASTADA PRESTIGIAR PRESTIGIAR SEMELHANTE  BARBáRIE. Prefiro gastar outros 80 reais e rever a Família Addams, que aliás será o assunto do próximo post. Excelente semana de 2012 a todos!

 

Uma opinião sobre “Boicote ao Teatro Vivo

  1. Fui dia 30 de junho, confesso que não resisti…Mas tampouco me arrependo. De fato, a interpretação de lady Macbeth por Claudio Fontana está descartável, mas a de Macbeth por Antony é4 realmente inspirada. E nada compensa a maior trollagem que rolou depois com as amigas Amanda e Alessandra (figurinos compostos por Tênis Converse e Bermudas….!)

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