Mansfield Park – Jane Austen´s Masterpiece

Jane Austen – Mansfield Park

Amo este romance, de modo que fica como meu presente de Páscoa aos fiéis leitores. Com um click no link acima, você pode baixar a tradução ao Português em PDF.

Ao contrrário dos demais enredos elaborados por  Jane Austen, que se inciam mal, pioram ao transcorrer da narrativa, ao ponto de deixarem as leitoras mais empáticas angustiadas com a deplorável situação das heroínas, e se resolvem magicamente nos dois últimos capítulos – quando não nas duas últimas páginas –  este romance já se inicia com as relações de tal forma estabelecidas que tudo poderia se resolver da mais cômoda das formas, com naturalidade e sem esforço quase das partes envolvidas. 

Trata-se de uma situação inédita no contexto austeniano: todas as moças têm um possível match – Maria Bertram, Mr. Rushworth; Julia Bertram, Henry Crawford; Mary Crawford, Tom Bertram;   e a insípida heroína Fanny, com o herói que eu mais admiro, em sua serena força e plácido comportamento: Edmund Bertram. 

No entanto, aqui, pela primeira vez, vemos como as paixões humanas entram em desacordo com o bom senso vitoriano, quando ambas as irmãs se apaixonam por Henry Crawford, que por sua vez pede a mão da não-dotada (em todos os sentidos) Fanny, e Mary toma-se de amores por Edmund, apesar de estar destinado a uma modesta vida como clérigo,  o quê, para desespero de Fanny, é aparentemente recíproco.

Um pouco sobre Fanny Price, a mais insuportavelmente insossa das heroínas austenianas.  Fanny é modesta, não possui o mais mínimo resquício de auto estima, é dependente emocional e intelectualmente de Edmund e masoquista a ponto de aceitar os mandos e desmandos da mesquinha tia Mrs Norris (quando supostamente deve gratidão somente aos Bertram)  sem questionar. Tanto seu intelecto quanto aspirações sociais são inexistentes – apesar de ficar aterrorizada com o curto período no qual retorma à própria família, mas não o suficiente para aceitar uma união mais que vantajosa com o carismático Crawford.

Uma cena bastante enfática para demonstrar a  vitimização constante desta personagem ocorre quando a tia a obriga a colher as rosas da irmã durante todo o dia sob o sol,  levá-las a própia casa e ainda voltar uma segunda vez, sob o pretexto de que não a havia trancado e trazido a chave. De volta à mansão dos Bertram, Fanny sente vontade de atenuar sua dor de cabeça com uma taça de vinho, mas não o faz porque Edmund não está presente e ela própria não sabe a proporção com que o primo lhe serve o Madeira misturado com água. Mais patética, impossível. O que acentua seu contraste com a rival Mary Crawford: cínica, ousada, esta personagem tem a imprudência constante de transmitir tudo o que passa por sua analiticamente perspicaz mente aos rosados e atrativos lábios.  E vai além: a valente senhorita, ao descobrir que sua paixão não terá o mesmo status do irmão mais velho, trata de convencê-lo a adotar uma carreira lucrativa, como advogado. Mary Crawford choca o reacionário e moralista Edmund, mas conquista minha eterna admiração.

De fato, fosse eu a autora do romance, em 2012, Fanny casar-se-ia com Henry, Mary com Edmund, Julia com Mr Rushworth e Maria assassinaria o irmão mais velho e os pais e assumiria o comando da Mansão Mansfield. Indeed.

Uma opinião sobre “Mansfield Park – Jane Austen´s Masterpiece

  1. Plus: mais um momento no qual sinto ganas de espancar essa insuportavelmente moralista heroina:
    Henry Crawford descreve o prazeroso período no qual os jovens, geralmente ociosos, ensaiavam a peça que ao final não pôde ser encenada devido ao retorno do austero patriarca Bertram. Fanny se cala (não tem a ousadia verbal de Mary Crawford, mas sim a pacata hipocrisia dos Bertram e Mrs. Norris) e pensa consigo: “Nunca foi tão feliz como quando se portou de modo tão desonesto e insensível. Oh! Que alma corrompida!”.
    Fanny Pride, I fuck&ng hate ya!

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