Já tive uma flor.

Branca, pura, perfumada,

como você.

Um dia, ao buscá-la precipitadamente,

seu espinho perfurou-me a pele,

senti dor, mas uma certa satisfação pois sua seiva se unia ao meu sangue.

No entanto, certa noite, ao chegar impaciente para apreciar sua beleza,

encontrei-a já morta.

Também eu desfaleci um pouco.

Por muitos anos não tive mais flores.

Um dia, alguém me explicou que eram tão melhores as flores artificiais,

sempre estão lá, não precisam de água e nunca morrem.

Sua beleza sempre presente, constante e imutável.

Desde então, tive muitas rosas artificiais,

às vezes é necessário limpá-las, pois juntam muito pó,

mas delas não se desprende odor algum.

Cansei-me.

Quero-as de volta, as flores reais. Ferem, exigem cuidados, morrem.

Na efemeridade de sua duração, encontro o prazer de possui-las.

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