A Sociedade do Experimentalismo

Pedro Bial, pseudojornalista com ares de intelectual, considerando-se infinitamente mais culto não apenas em relação aos participantes do programa que apresenta mas, também e principalmente, ao público que acompanha o mesmo, soltou a seguinte pérola esta semana : ” o $$$, que está já em sua décima-segunda edição, não é somente um programa, mas uma compilação da experiência humana!”.

Sem entrar na discussão da parcela “significativa” da população que os participantes representam (tanto em aparência física quanto situação socioeconômica), bem como da “autenticidade” de condições em que se encontram – nada de trabalho, piscina à vontade, bebidas alcóolicas em abundância, etc., quero analisar outro aspecto inerente às polêmicas relacionadas ao programa: o experimentalismo.

Vivemos em uma sociedade na qual há muita pressão da mídia acerca de experiências sensoriais e sociais. Provar bebidas alcóolicas. Digirir carros possantes. Conhecer lugares exóticos. Tentar relacionamentos com pessoas muito diferentes de seu padrão usual. Beijar pessoas do mesmo sexo (dá-lhe Katy Perry!). Sair da zona de conforto. Etc etc etc. Não é tão difícil de compreender, portanto, as posturas passionais que este programa desperta, seja para desprezá-lo ou enaltecê-lo. As sensações experimentadas por 12 indivíduos em uma cela (por mais confortável que seja, o confinamento é o princípio da coisa), separados de amigos e família, sem outras maneiras de entretenimento senão álcool, complôs, intrigas e sexo, despertam a inveja de muita gente.

A meu ver, o experimentalismo é a essência da existência humana, desde que acompanhado da reflexão. Ficar imóvel diante das possibilidades, supondo e imaginando, leva a conclusões abstratas quando não artificiais, enquanto que tomar parte de diversas ações sem sentido algum exceto a busca do prazer, puro e simples, conduz a um desnorteamento e posterior apatia, quando já se provou de tudo.

Temos, no Brasil, uma supergeração que hoje entra em seus 15 anos composta de adolescentes de classe média que já viajaram ao exterior, gozam de horas e mais horas na internet, participam de festas e baladas de diversos gêneros, frequentam shows e tomam parte de diversas outras atividades, geralmente sem supervisão adulta adequada (prefiro dizer, supervisão pseudoadulta, pois opta por não constranger o filho ou perder a admiração do mesmo, que encara como amigo e não tutelado, a coibir comportamento reprovável).  O problema dessa vivência rica porém precoce é que gera, rapidamente, uma sensação de “… e agora, o quê?”, ou seja, uma expectativa sobre quais serão os próximos eventos que despertarão o sentido de excitação, novidade. Não por coincidência, o número de pessoas nessa faixa etária que busca, com razão, terapeutas de diversas áreas é alarmante. Cito, aqui, um caso extremo que obteve destaque esta semana: uma menina norteamericana de 18 anos foi condenada à prisão perpétua por ter assassinado a vizinha de 9 anos, motivadada pela curiosidade de saber qual seria a sensação experimentada ao cometer um homicídio.

Por essas e outras razões, uma fortíssima em particular denominada ” bom senso”, creio que nem todo experimetalismo é invejável e que a suposta “compilação da experiência humana” defendida por Bial nada mais é do que a mera substituição da Liberdade pela libertinagem, uma troca pouco vantajosa na minha visão “reaça” dos fatos. Aliás, bons tempos aqueles em que “herois” eram figuras como Aquiles e Odisseu!

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